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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BIENAL: CADERNOS DE VIAGEM



Como parte do processo de concepção da 8a Bienal do Mercosul, nós, curadores, viajamos pela região de Rio Grande do Sul com itinerários e por mais de vinte cidades do interior, realizando pesquisa de campo e visitas em ateliês. Essas experiências de viagem, vivenciadas por todos – vários provenientes de outros países – fez-nos refletir acerca da noção de território e sua vinculação in situ com a prática artística no contexto de produção de obra, e em como essas chegam a ser apresentadas em uma bienal sulamericana. Tal interesse levou-nos a concretizar essa atividade curatorial no território e hoje aparece refletida no componente que chamamos Cadernos de Viagem.

Cadernos de Viagem consistiu em distribuir pela região do Rio Grande do Sul nove artistas cujas práticas habituais envolvem a viagem, a paisagem e/ou o trabalho com comunidades. Cada um deles realizou uma rota específica durante três semanas, em média, deixando que a experiência da viagem, a paisagem e as interações sociais e/ou culturais ditassem o caminho pelo qual fosse desenvolvido seu projeto. Não foi o artista quem levou a obra planejada e foi para o território a fim de desenvolvê-la, mas, sim, o contrário: foi a especificidade do lugar e a experiência vivida pelo artista durante sua viagem que condicionou os resultados. Finalizadas essas três semanas, cada um realizou uma mostra no local de seu destino, exibindo o resultado dos processos artísticos ocorridos durante a viagem e apresentando sua obra e experiência nesse lugar para a comunidade. Depois de já ter realizado a viagem e retornado a seus ateliês, os artistas desenvolveram as obras que serão apresentadas no Cais do Porto.Caderno, diário ou agenda de viagem são os lugares em que aparecem anotações, desenhos e experiências, recolhidas como reflexão e memória. Em Cadernos de Viagem entendemos a ideia de caderno num sentido amplo, pois o artista contemporâneo realiza esses distintos processos de através da fotografia, do vídeo, além do desenho e das anotações textuais. Nosso interesse é evidenciar as diversas maneiras como os artistas documentam sua experiência de observação e vivência no território, e como incorporam também outras soluções para suas obras de arte. É o caso dos artistas que trabalharam sob um olhar focado no científico, no sistemático e na coleta de dados, ou dos que deram ênfase à paisagem ou à representação e, por último, dos que se vincularam à etnografia e à antropologia para produzir obras orientadas para o social.




terça-feira, 13 de setembro de 2011

BIENAL: GEOPOÉTICAS


A mostra central no Cais do Porto examina a criação de entidades transterritoriais e supraestatais que colocam em jogo a noção de nacionalidade. Essas construções político-econômicas contrastam com as noções de Nação estabelecidas há séculos na conformação dos países americanos após as lutas por independência. A exposição explora diferentes aspectos das ideias de Estado e Nação, suas retóricas visuais (mapas, bandeiras, escudos, hinos, passaportes, exércitos) e suas estratégias de autoafirmação e consolidação de identidade.

A ideia de cidadania está baseada etimologicamente nas noções romanas de civitas e urbanitas. Que tipo de cultura de pertencimento se dá em situações não urbanas? Onde reside a nacionalidade quando se carece de território físico? Algumas obras consideram o território rural como uma possibilidade para a utopia e o isolamento como uma condição positiva; outras analisam diversas estratégias de sustentabilidade e de coesão na ausência de território. Algumas dessas construções nacionais – que, em certos casos, possuem território mas carecem de autonomia política – estarão representadas no interior da exposição em “pavilhões” que denominamos ZAP – Zonas de Autonomia Poética.Desde o mapa invertido de Torres García, a arte tem visitado a disciplina cartográfica para produzir mapas ativistas que não estão a serviço da dominação. A cartografia é um tema recorrente na prática curatorial recente, de modo que se torna inevitável quando se fala de território, pois nela confluem geografia, ideologia e política. A exposição reúne diversas formas de medir e representar o mundo, incluindo artistas que usam mapas para promover a mudança social, psicogeografias, rotas de derivas, mapas afetivos e diversas representações do mundo que contradizem as cartografias convencionais.